(Traduzido por Katherine Salles)
Há meses não escrevo neste blog e percebo que não o fiz justamente por consequências de atos imaturos que tomei meses antes (mas não vou falar sobre agora, afinal não é o propósito aqui). Enfim, como um estudante de Letras, somos submetidos a muitos leituras que vão contra nossa fé e tudo aquilo que acreditamos. Então pensa no meu alívio ao abrir uma obra clássica e ver Deus nela?
*Atenção aos spoilers
Resumo -
O jovem John Middleton trabalha na fábrica de algodão de Pendle Hill desde que se entende por gente. Órfão de mãe, foi criado pelo pai, um homem agressivo, abusivo e com tendências criminosas. Certo dia, atravessando uma ponte no vilarejo, John vê Nelly, aquela que lhe dirá as primeiras palavras gentis que ele já ouviu em toda sua vida. Mas a maldade humana que ele tanto conhece tentará separá-los, e apenas o Criador, cujo amor Nelly lhe apresenta, será capaz de salvar o coração de John Middleton. (Fonte: Amazon)
Desde o início da obra vemos a luta interior do jovem Jonh, de 17 anos, para não se tornar aquilo que ele tanto repuldia: seu próprio pai. O seu encontro com Nelly, uma orfã e cristã de coração puro, se torna um divisor de águas e o etupim para avançar. Ele se deseja se tornar um homem digno para conquistar o coração da jovem e promete a si mesmo fazer de tudo para alcançar esse objetivo.
Começa a frenquetar a escola e, por um breve momento, se aproxima de Nelly. Mas essa aproximação logo é rompida quando seu pai comete um crime e foge, o abandonando. Os crimes do pai recaem sobre os ombros de Jonh, que se torna uma figura repuldiada pela comunidade, trabalhadores honestos da fábrica e, pelo que acredita, pela própria amada.
Richard Jackson, filho do supervisor da fábrica, representa tudo aquilo que impede Jonh de melhorar sua imagem. Um ódio crescente contamina o coração do protagonista ao ponto de pedir à Deus por vingança.
As coisas só pioram quando Nelly é assediada por Richard Jackson, que em um ato de raiva pela rejeição, a atinge com uma pedra afiada. A jovem passa por momentos de vida e morte, mas após o susto ela e Jonh confessam seu amor e finalmente se casam.
O casamento -
Muitos diriam que essa parte da narrativa seria o gacho para o final. Afinal, o mocinho casa com a mocinha e "vivem os felizes para sempre". Mas, não é isso que acontece aqui, o casamento não representa o fim dos problemas.
Nossa geração está acostumada com obras, filmes e séries que seguem o seguinte clichê: 1) homem problemático (ou o chamado bad boy) conhece a mocinha angelical 2) Ela cura ele com o poder do amor 3) Superam as adversidades e vivem felizes para sempre. No entanto, a vida não funciona assim. Mesmo que Nelly ame Jonh, apenas o amor de Deus é capaz de transformar e mudar vidas (e ela sabe disso).
Acredito que é aqui que vemos o ápice da jornada de Jonh. Ele tem uma família abençoada, mas não consegue ignorar a vingança e os instintos que o fazem "quase" retornar ao passado. Um desses "quase" ocorreu quando seu inimigo Richard o demitiu da empresa. A família sofre problemas financeiros e fome... A solução deseperadora do homem é recorrer à antiga gangue de seu pai, que para nossa supresa o rejeita e o ajuda a alimentar a família.
Nessa hora, é impossível não ver o cuidado de Deus, não é mesmo? Quantas vezes corremos para os braços de padrões antigos e nos esquecemos Dele? E mesmo assim, o Senhor nos surpreende com o seu cuidado até quando não percebemos.
Religiosidade -
Depois desse episódio, nosso protagonista consegue um trabalho e logo se mudam para uma comunidade próxima. Isso alegra Jonh? Mais ou menos, o fato de se afastar de seu objeto de vingança (Richard) não o anima muito.
Jonh tem uma experiência com Deus nesta comunidade ao ser convidado por um colega para ouvir uma pregação na colina. Essa parte é sensacional, senti-me transportada para os grandes avivamentos de nomes como Jonh Wesley e outros. É impossível não se emocional e não ver o fogo do arrependimento do Espírito Santo.
Nosso protagonista é impactado por este fogo, mas não permite que ele faça transformação em seu coração. Neste momento, Jonh entra no modo religioso: faz orações, jejuns, leituras... E tudo isso com um único propósito, que o Senhor faça o seu desejo: vingança ao seu inimigo.
Confesso que julguei Jonh nessa hora. O cara teve uma experiência enorme com Deus, mas continua com o mesmo coração? Mas aí me lembrei do começo da minha caminhada... Sabe, eu "reconhecia" o amor de Deus e tal, mas pensa em uma criatura que continuava com a mentalidade antiga de culpa e vergonha (Não sei como o Senhor me aguentou nesse período). E o que quero dizer ao escrever isso? Bem, estou aprendendo que vamos ter nosso coração mundano em todo tempo dizendo para fazermos as coisas com nossa própria vontade, porém, Jesus diz que devemos segui-lo todos os dias até a cruz: matar nosso velho eu.
Esse velho eu que é controlado pelas emoções ruins e quer bater em alguém o tempo todo (risos). Ele é um ser amargurado e/ou egoísta, sabe? Você conhece ele, eu conheço ele. E ele precisa ir até a cruz.
Bem, como você pode ver, escrevi bastante sobre o livro, mas não falarei sobre o final dele. Cabe a você descobrir se o coração de Jonh vai ser transformado e se ele vai obedecer ao mandamento mais díficil de todos: perdoar quem te feriu.
Boa leitura!
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